Aos 68 anos, Dona Maria levou sua Lhasa para Portugal
História inspiradora de Dona Maria, 68 anos, que levou Mel, Lhasa Apso de 9 anos, para Portugal.
Dona Maria tem 68 anos, mora sozinha desde que o marido faleceu, e sua companheira mais fiel é a Mel — uma Lhasa Apso de 9 anos que não sai do seu colo. Quando o filho que mora em Lisboa insistiu para que ela se mudasse para Portugal, a primeira condição foi clara: "Só vou se a Mel for comigo." Esta é a história de como uma senhora que mal usa smartphone conseguiu levar sua cachorrinha para o outro lado do Atlântico.
O desafio real: não é o pet, é a burocracia digital
O transporte internacional de pets exige agendamentos online, preenchimento de formulários digitais, envio de documentos por e-mail e acompanhamento de protocolos por sistema. Para Dona Maria, que usa o celular basicamente para ligações e WhatsApp, isso era mais assustador que qualquer voo de 10 horas.
O filho, Pedro, assumiu a parte digital do processo — agendamentos, pesquisas, contato com companhias aéreas. Dona Maria ficou com a parte presencial: levar Mel ao veterinário, ao MAPA e ao aeroporto.
Mel: uma cachorrinha sênior viajando
Mel tinha 9 anos na época da viagem — considerada sênior para a raça. A idade do pet traz preocupações adicionais:
- Articulações: Lhasa Apsos idosas podem ter displasia ou artrose, dificultando posições prolongadas na caixa
- Coração: Doença valvular mitral é comum em raças pequenas a partir dos 8 anos
- Rins: Função renal declina com idade — desidratação durante voo é risco maior
- Ansiedade: Cães idosos podem ser mais sensíveis a mudanças de rotina
Check-up pré-viagem completo
O veterinário de Mel realizou uma bateria de exames mais abrangente que o padrão:
| Exame | Resultado | Relevância para viagem |
|---|---|---|
| Hemograma completo | Normal | Descartar anemia ou infecção |
| Bioquímico renal (ureia, creatinina) | Normal | Função renal para tolerar desidratação |
| Bioquímico hepático | Normal | Capacidade de metabolizar estresse |
| Ecocardiograma | Sopro grau II (leve) | Sem contraindicação para voo |
| Raio-X de tórax | Normal | Descartar problemas pulmonares |
| Raio-X articulações | Leve artrose em joelhos | Caixa com colchonete ortopédico |
O veterinário liberou Mel para viagem com a recomendação de colchonete ortopédico na caixa e oferecimento frequente de água.
Documentação para Portugal: passo a passo simplificado
Pedro criou um checklist visual impresso para Dona Maria acompanhar:
- Microchip — Mel já tinha desde filhote. Verificação de leitura: OK
- Vacina antirrábica — Reforço aplicado 4 meses antes da viagem
- Sorologia de raiva (FAVN) — Obrigatória para UE. Coleta 30 dias após a vacina. Resultado: 3,1 UI/ml (excelente)
- Espera de 90 dias — Contados a partir da coleta de sangue
- Atestado de saúde — Emitido 5 dias antes do voo
- Tratamento anti-Echinococcus — Praziquantel, 3 dias antes do voo
- CVI no MAPA — Agendado por Pedro online, Dona Maria compareceu com Mel
A escolha da companhia aérea
Mel pesa 6,3 kg. Com a bolsa de transporte aprovada (1,2 kg), total de 7,5 kg — dentro do limite de cabine da TAP (8 kg). Dona Maria viajaria com Mel embaixo do assento da frente.
A TAP foi a escolha natural por ser voo direto GRU–Lisboa e por aceitar pets em cabine. Pedro fez a reserva do pet por telefone (obrigatório — não pode ser feita online) e pagou EUR 75.
Preocupações específicas de Dona Maria
- "E se ela latir o voo inteiro?" — Lhasa Apsos são naturalmente tranquilas. Mel estava habituada à bolsa.
- "E se eu precisar ir ao banheiro?" — A bolsa fica embaixo do assento; pode ir ao banheiro normalmente.
- "E se ela fizer xixi na bolsa?" — Tapete absorvente dentro da bolsa resolve.
- "E na imigração portuguesa, vão querer tirar ela de mim?" — Não. Verificam documentos e microchip; o animal fica com o tutor.
O dia do voo: como foi
Preparação (manhã)
- Última refeição de Mel: 4 horas antes do voo (porção reduzida)
- Passeio para fazer necessidades: 2 horas antes de sair de casa
- Feliway Adaptil spray na bolsa de transporte: 30 minutos antes
- Mantinha familiar e camiseta de Dona Maria dentro da bolsa
No aeroporto
Pedro acompanhou Dona Maria até o check-in. Documentos do pet conferidos pelo agente da TAP: passaporte de vacinação, CVI, atestado de saúde. Mel ficou na bolsa durante todo o processo. Tudo liberado em 15 minutos.
Dona Maria embarcou com prioridade (assistência a idosos — solicitada por Pedro na reserva). Mel ficou quieta na bolsa durante todo o embarque.
Durante o voo (9h30)
Mel dormiu nas primeiras 4 horas. Acordou, recebeu água oferecida por Dona Maria com uma seringa pequena pela abertura da bolsa. Choramingou levemente durante a turbulência sobre o Atlântico, mas acalmou quando Dona Maria colocou a mão dentro da bolsa.
Dona Maria relata: "Foi muito mais tranquilo do que eu imaginava. A Mel ficou mais calma do que eu."
Chegada em Lisboa
Na imigração, Dona Maria apresentou seus documentos pessoais e os de Mel. O agente do DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) verificou o microchip, conferiu a sorologia e o CVI, e carimbou a entrada. Tempo total: 20 minutos.
Pedro estava esperando do lado de fora. Mel abanou o rabo ao vê-lo.
Adaptação de Mel a Portugal
A adaptação de uma cachorrinha sênior a um novo país envolveu:
- Clima: Lisboa é mais amena que a maioria das cidades brasileiras. Mel se adaptou bem, mas precisou de casaquinho no inverno (novidade para ela).
- Veterinário local: Pedro já havia pesquisado clínicas veterinárias em Lisboa com boas avaliações. Primeira consulta 1 semana após chegada — check-up de rotina e registro no sistema veterinário português.
- Passeios: Lisboa é uma cidade excelente para cães. Parques, calçadas largas, e portugueses são receptivos a pets. Mel logo tinha sua rota favorita de passeio.
- Ração: Dona Maria levou 3 kg da ração habitual para transição. Em 2 semanas, fez a troca gradual para uma marca europeia equivalente.
- Rotina: Mesmos horários de alimentação e passeio do Brasil. Consistência é a chave para cães idosos.
Custos totais da operação
| Item | Valor |
|---|---|
| Vacina antirrábica (reforço) | R$ 120 |
| Sorologia FAVN | R$ 1.200 |
| Check-up completo (exames sênior) | R$ 1.800 |
| Microchip (já tinha) + verificação | R$ 50 |
| Atestado de saúde + tratamento Echinococcus | R$ 250 |
| Bolsa de transporte aprovada para cabine | R$ 380 |
| Taxa TAP (pet em cabine) | EUR 75 (~R$ 450) |
| Deslocamento ao MAPA + CVI | R$ 150 |
| Total | ~R$ 4.400 |
Dicas para tutores idosos viajando com pet
- Peça ajuda com a burocracia digital: Filhos, netos, sobrinhos — alguém que domine internet pode cuidar de agendamentos e pesquisas.
- Solicite assistência especial na companhia aérea: Cadeira de rodas, embarque prioritário, acompanhamento — tudo disponível e gratuito para idosos.
- Imprima tudo: Todos os documentos em papel, organizados em uma pasta. Não dependa apenas de versões digitais.
- Chegue mais cedo ao aeroporto: 4 horas de antecedência reduzem a pressa e o estresse para tutor e pet.
- Leve medicação do pet na bagagem de mão: Se o pet toma remédios diários, não despache na mala.
- Tenha o telefone de um veterinário no destino: Anotado em papel, não apenas no celular.
- Use bolsa de transporte com rodas: Existem modelos aprovados para cabine com rodinhas — evitam carregar peso.
Pets sêniores e viagem: o que avaliar
- Idade não é contraindicação automática: Um cão de 9 anos saudável pode viajar perfeitamente. O que importa é o estado clínico, não a idade no RG.
- Ecocardiograma é essencial: Doença cardíaca é comum em idosos e pode ser assintomática. A altitude afeta o coração.
- Hidratação redobrada: Rins de pets idosos são menos eficientes. Ofereça água constantemente durante a viagem.
- Conforto articular: Colchonete ortopédico na caixa/bolsa faz diferença enorme para pets com artrose.
- Respeite os limites: Se o veterinário disser que o pet não tem condição de viajar, respeite. Existem alternativas (transporte terrestre, empresa especializada com monitoramento) que podem ser mais adequadas.
Perguntas frequentes
Pessoa idosa pode viajar sozinha com pet no avião?
Sim. Não existe restrição de idade para tutores viajando com pets. Companhias aéreas oferecem assistência especial gratuita para idosos (embarque prioritário, cadeira de rodas, acompanhamento). O pet fica com o tutor em cabine ou é despachado no porão normalmente.
Cachorro velho pode viajar de avião?
Depende do estado de saúde, não da idade. Um cão sênior com coração, rins e pulmões saudáveis pode viajar normalmente. Exames pré-viagem completos (hemograma, bioquímico, ecocardiograma) são essenciais para pets acima de 7 anos.
Quanto custa levar um cachorro pequeno para Portugal?
Entre R$ 3.500 e R$ 5.000, incluindo sorologia, vacinas, exames, documentação, caixa e taxa da companhia aérea. O valor varia conforme a idade do pet (exames mais completos para sêniores) e a companhia aérea escolhida.
Portugal exige quarentena para cães?
Não, desde que o cão tenha microchip, vacina antirrábica válida, sorologia de raiva com título ≥ 0,5 UI/ml (com 90 dias de carência), tratamento anti-Echinococcus e CVI válido. O animal é liberado no aeroporto.
A TAP aceita cachorro em cabine?
Sim. A TAP aceita animais em cabine em voos de/para o Brasil, desde que o animal + caixa/bolsa pesem até 8 kg e a caixa caiba embaixo do assento (máximo 45x35x20 cm). A taxa é de EUR 75 para voos intercontinentais. Reserva obrigatória por telefone.
Posso levar ração do Brasil para Portugal?
Sim, em quantidade para uso pessoal (até 2–3 kg na mala). Deve estar na embalagem original fechada. É recomendável para fazer a transição alimentar gradual no destino. Declare na alfândega se questionado.
E se meu pet idoso tiver sopro no coração?
Sopros grau I e II (leves) geralmente não contraindicam viagem aérea. Sopros grau III ou superior exigem avaliação cardiológica detalhada. O cardiologista veterinário é quem deve liberar ou não o pet para voo. Nunca viaje sem essa avaliação em pets cardiopatas.
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