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Como levar cachorro para Portugal: passo a passo completo 2026

Guia definitivo para levar seu cachorro do Brasil para Portugal. Microchip, vacina antirrábica, sorologia, CVI e tudo que você precisa saber.

Portugal é o destino mais buscado por brasileiros que emigram com seus cães. Com mais de 30.000 brasileiros chegando ao país por ano, a demanda por informações sobre como levar cachorro para Portugal nunca foi tão alta. A boa notícia: é totalmente possível. O processo é bem definido e os órgãos são organizados. A má notícia: qualquer erro pode reiniciar o cronograma do zero — e você pode perder até 4 meses.

Neste guia, você vai encontrar o passo a passo completo, atualizado para 2026, com os documentos exigidos pela União Europeia, os prazos obrigatórios e os erros que mais costumam acontecer — para que o seu cachorro chegue a Portugal sem nenhuma surpresa.

⏱ Resumo rápido: O processo leva no mínimo 90 dias, mas o recomendado é começar 120 dias antes do embarque. O maior limitador é a janela obrigatória de 3 meses após a sorologia antirrábica.

Por que Portugal tem tantos requisitos?

Portugal faz parte da União Europeia, e a UE tem uma das políticas sanitárias mais rígidas do mundo para movimentação de animais entre países. O objetivo é prevenir a reintrodução de doenças como a raiva em territórios considerados controlados ou livres.

O Brasil, apesar de ser um país com programa nacional de vacinação antirrábica, não está na lista de países aprovados pela UE como equivalentes em controle sanitário. Por isso, todos os pets vindos do Brasil precisam passar pelo processo completo — incluindo o teste de sorologia.

Passo a passo: como levar seu cachorro para Portugal

Passo 1 — Implantar o microchip

O microchip é o primeiro passo obrigatório — e o mais crítico em termos de ordem. Ele precisa ser implantado antes ou no mesmo dia da primeira vacina antirrábica. Usar o padrão ISO 11784/11785 (15 dígitos) é obrigatório para que os leitores europeus consigam identificar o animal.

Se o seu cachorro já tem microchip de padrão diferente (como o de 10 dígitos, mais antigo), é possível implantar um segundo microchip seguindo o padrão ISO. O veterinário deve documentar ambos os números.

Atenção crítica: Se você aplicar a vacina antirrábica ANTES de implantar o microchip, toda a vacinação será considerada inválida pela União Europeia. O processo terá que ser refeito desde o início, com nova vacina e nova sorologia.

Passo 2 — Vacinar contra a raiva

A vacina antirrábica precisa ser aplicada após o microchip (ou no mesmo dia). A vacina deve ser:

  • De marca registrada e aprovada pelo órgão competente
  • Aplicada com o cachorro tendo no mínimo 12 semanas de vida
  • Documentada na carteira de vacinação com data, número do lote e nome do veterinário
  • Dentro do prazo de validade no momento do embarque (geralmente 1 ou 3 anos dependendo da vacina)

O veterinário deve registrar o número do microchip na carteira de vacinação. Sem esse registro, o documento pode ser questionado.

Passo 3 — Sorologia antirrábica (o exame mais crítico)

A sorologia antirrábica — tecnicamente chamada de Fluorescent Antibody Virus Neutralization (FAVN) ou ELISA — mede o título de anticorpos antirrábicos no sangue do animal. A União Europeia exige resultado mínimo de 0,5 UI/mL.

Regras obrigatórias:

  • A coleta de sangue só pode ser feita no mínimo 30 dias após a aplicação da vacina antirrábica
  • O exame deve ser feito em laboratório aprovado pela União Europeia
  • Após a coleta, você deve aguardar no mínimo 90 dias antes de embarcar

Laboratórios aprovados pela UE no Brasil (2026):

  • CENARGEM — Embrapa, Brasília (laboratório público)
  • Consulte sempre a lista oficial do MAPA, pois novos laboratórios podem ser aprovados

O resultado chega em 7 a 15 dias úteis. Se o resultado for abaixo de 0,5 UI/mL, a vacina precisa ser reaplicada e o processo de 30+90 dias reinicia.

Passo 4 — Aguardar o período obrigatório

Após a coleta do sangue para sorologia, é obrigatório aguardar 90 dias antes de entrar em qualquer país da União Europeia. Esse prazo é contado a partir da data da coleta, não da data do resultado.

Esse é o principal responsável pelo prazo mínimo de 90 a 120 dias do processo. Não há exceções — nem para emergências pessoais ou mudanças de data de viagem.

Passo 5 — Emitir o CVI (Certificado Veterinário Internacional)

O CVI é o documento emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que certifica oficialmente a saúde e a documentação do animal para exportação. Ele precisa ser emitido por um veterinário credenciado ao MAPA.

Atenção ao prazo de validade: O CVI tem validade de apenas 10 dias corridos a partir da data de emissão. Isso significa que você precisa coordenar a data de emissão com a data do seu voo. Se o voo atrasar mais de 10 dias, o CVI precisa ser reemitido.

Passo 6 — Emitir o Certificado Sanitário para exportação

Além do CVI, você precisará do formulário oficial de certificado sanitário europeu. Esse documento é preenchido junto com o CVI pelo veterinário oficial brasileiro credenciado ao MAPA e segue um modelo específico da União Europeia.

Para entrar em Portugal (e qualquer país da UE), você precisará apresentar:

  • O CVI original (não cópia)
  • O certificado sanitário europeu original
  • Resultado original da sorologia
  • Carteira de vacinação
  • Declaração do proprietário (uso não comercial)

Passo 7 — Escolher a companhia aérea e reservar o voo

Nem todas as companhias aéreas aceitam cachorros na cabine para voos Brasil-Portugal, e as regras variam significativamente. As principais companhias que operam a rota e suas políticas gerais:

CompanhiaNa CabinePeso máximo (cabine)Observações
TAP Air PortugalSim8 kg (animal + caixa)Máx 1 pet por passageiro. Reserva obrigatória.
LATAMSim8 kg (animal + caixa)Disponibilidade limitada. Reservar com antecedência.
AzulSim (doméstico apenas)Não aplica para internacionalVoos internacionais: porão apenas.
Air France / KLMSim8 kg (animal + caixa)Verificar disponibilidade por rota.

Para animais acima do limite de cabine, o transporte é feito no porão como carga viva, seguindo as normas IATA. A temperatura do porão é controlada e regulamentada, mas é importante verificar as restrições por raça e clima.

Raças que exigem atenção especial

Raças braquicefálicas (focinho curto)

Bulldogs, Pugs, Shih-Tzus, Bulldogs Franceses e outras raças de focinho curto têm passagens nasais mais estreitas, o que as torna mais suscetíveis a problemas respiratórios em ambientes pressurizados e com variações de temperatura. Por isso:

  • Muitas companhias aéreas proíbem raças braquicefálicas no porão em meses de temperatura extrema
  • Algumas companhias proíbem completamente certas raças
  • O veterinário precisa emitir declaração de aptidão para voo

Verifique a política específica da companhia antes de comprar qualquer passagem.

O que acontece na chegada em Portugal

Ao chegar em Portugal (ou qualquer aeroporto da UE), os pets passam por inspeção veterinária no BIP (Border Inspection Post) designado. Em Lisboa, o BIP fica no próprio aeroporto.

O processo normalmente demora entre 30 minutos e algumas horas, dependendo da fila e da completude da documentação. Se tudo estiver correto, o animal é liberado. Qualquer irregularidade pode resultar em retenção temporária e custos adicionais.

Após a chegada, você precisará registrar o animal no veterinário português, que emitirá o Passaporte Europeu de Animal de Companhia — obrigatório para circular dentro dos países da UE.

Quanto custa todo o processo

ItemCusto estimado (2026)
Implante de microchipR$ 80 a R$ 200
Vacina antirrábicaR$ 60 a R$ 150
Coleta + exame de sorologia (CENARGEM)R$ 900 a R$ 1.800
CVI + Certificado Sanitário UER$ 300 a R$ 600
Taxa da companhia aérea (pet na cabine)EUR 60 a EUR 200 (por trecho)
Taxa da companhia aérea (porão)EUR 150 a EUR 500 (dependendo do peso e companhia)
Caixa IATA aprovadaR$ 300 a R$ 1.200
Total estimado (sem especialista)R$ 2.500 a R$ 5.500 + taxa aérea

Esses custos são do processo documental e de transporte. Não incluem consultas veterinárias adicionais, custo da passagem aérea humana, ou possíveis reexames caso a sorologia dê negativo na primeira tentativa.

Quando contratar uma empresa especializada

O processo pode ser feito inteiramente por conta própria — todos os documentos são emitidos por órgãos públicos e veterinários credenciados. Mas há situações em que a empresa especializada faz toda a diferença:

  • Você tem data de embarque definida e não pode perder nenhuma etapa
  • Raça braquicefálica ou de grande porte — mais restrições e verificações necessárias
  • Resultado negativo na sorologia — a empresa orienta sobre como proceder e minimiza o atraso
  • Primeira vez fazendo o processo — a curva de aprendizado é real e os erros são caros
  • Mudanças de data de viagem — o CVI tem apenas 10 dias de validade; coordenar isso sozinho é estressante

A Pet Viajante acompanha todo o processo — de veterinário a questões jurídicas — com escritórios no Brasil e em Portugal, e já transportou mais de 500 animais com segurança.

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