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Validade dos documentos para viagem com pet: quando cada um expira

Guia de validade e prazos de todos os documentos para viagem internacional com pet. CVI, CZI, vacina, titulação e timeline ideal.

Uma das maiores causas de embarque recusado é documento fora da validade. A documentação para viagem internacional com pet tem prazos rígidos — e cada documento expira em um momento diferente. Saber quando cada um vence evita surpresas no aeroporto.

Neste guia, listamos todos os documentos necessários, suas validades exatas e a ordem correta de emissão para que nenhum expire antes do embarque.

Resumo: todos os documentos e suas validades

Documento Quem emite Validade Quando providenciar
Microchip Veterinário Permanente (não expira) Antes de tudo
Vacina antirrábica Veterinário 1 ou 3 anos (conforme fabricante/protocolo) Após microchip, 21-30 dias antes do voo
Titulação de anticorpos (RNATT/FAVN) Laboratório aprovado Válida enquanto vacina antirrábica estiver em dia 30+ dias após vacina; 3 meses de espera após coleta
CVI (Certificado Veterinário Internacional) Veterinário credenciado pelo MAPA 10 dias Até 10 dias antes do embarque
CZI (Certificado Zoossanitário Internacional) Vigiagro/MAPA 10 dias Até 10 dias antes do embarque (após CVI)
Carteira de vacinação Veterinário Permanente (documento acumulativo) Ter sempre atualizada
Tratamento Echinococcus Veterinário 24 a 120 horas antes da CHEGADA (não do embarque) 1-5 dias antes da chegada ao destino
Exame clínico/atestado de saúde Veterinário Varia (10-30 dias, conforme país) Próximo ao embarque
Passaporte europeu Veterinário na UE Permanente (enquanto vacinas em dia) Após chegar na Europa

Microchip: a base de tudo

O microchip é o primeiro documento a ser providenciado e o único que nunca expira.

  • Padrão: ISO 11784/11785, com 15 dígitos
  • Validade: permanente — dura a vida toda do animal
  • Posição: implantado subcutaneamente na região cervical (entre as escápulas)
  • Registro: o número deve constar em TODOS os outros documentos
Verificação obrigatória: Antes de emitir qualquer documento, o veterinário deve ler o microchip com scanner para confirmar que funciona e que o número corresponde ao registrado. Microchips podem migrar (mudar de posição) ou, raramente, falhar. Se o microchip não for lido, o CVI não pode ser emitido.

Vacina antirrábica: atenção à cadeia de validade

A vacina antirrábica tem duas dimensões de validade:

1. Validade da imunização (quando o reforço vence)

  • Protocolo de 1 ano: reforço anual obrigatório
  • Protocolo de 3 anos: reforço a cada 3 anos (aceito por muitos países, mas nem todos)
  • A validade começa na data da vacinação e termina na data indicada pelo veterinário na carteira

2. Prazo mínimo antes do embarque

  • 21 dias: União Europeia, Reino Unido, Japão e maioria dos países
  • 30 dias: Estados Unidos (CDC)
Cadeia de validade: Se a vacina antirrábica vencer (mesmo que por 1 dia) antes de ser reforçada, o protocolo é considerado "quebrado". Isso significa que:
  • A titulação de anticorpos perde a validade
  • O reforço é tratado como primeira dose (nova espera de 21-30 dias)
  • Se necessária titulação, todo o ciclo de 3 meses recomeça
Mantenha o reforço SEMPRE em dia — nunca deixe vencer, mesmo que por poucos dias.

Titulação de anticorpos (RNATT/FAVN)

  • Quando é obrigatória: para destinos que exigem (UE, UK, Japão, EUA para cães, Austrália, entre outros)
  • Validade: não expira por si só — é válida enquanto a vacina antirrábica estiver em dia, com reforços feitos dentro do prazo
  • Resultado mínimo: >= 0,5 UI/ml
  • Período de espera: 3 meses a partir da data da coleta de sangue (não do resultado)

Exemplo prático:

  • Coleta de sangue: 15 de janeiro
  • Resultado (2 semanas depois): 30 de janeiro — resultado 0,8 UI/ml (aprovado)
  • Período de espera de 3 meses: até 15 de abril
  • Pode embarcar a partir de: 15 de abril

CVI — Certificado Veterinário Internacional

O CVI é o documento mais sensível em termos de prazo.

  • Quem emite: veterinário credenciado (habilitado) pelo MAPA
  • Validade: 10 dias corridos a partir da data de emissão
  • O que contém: exame clínico do animal, vacinas, microchip, estado de saúde
  • Formato: pode ser em papel ou digital (e-CVI) dependendo do destino

Quando emitir

O CVI deve ser emitido no máximo 10 dias antes do embarque e no mínimo 3-5 dias antes (para dar tempo de levar ao Vigiagro para emissão do CZI). A janela ideal:

Dia do voo Emitir CVI entre Levar ao Vigiagro até
Dia 10 (embarque) Dia 1 a Dia 7 Dia 2 a Dia 8
Erro fatal: Emitir o CVI 11 dias antes do voo invalida o documento. Emitir no dia anterior pode não dar tempo de conseguir o CZI. Planeje a janela de 5-7 dias antes do voo para emissão do CVI.

CZI — Certificado Zoossanitário Internacional

  • Quem emite: Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional), ligado ao MAPA
  • Onde: unidades do Vigiagro em aeroportos e portos internacionais
  • Validade: 10 dias corridos a partir da emissão
  • Pré-requisito: CVI válido + toda a documentação do animal
  • Custo: gratuito (não há taxa para emissão)
  • Agendamento: obrigatório em muitas unidades — agende com antecedência pelo sistema Siscomex ou por e-mail da unidade

Documentos para levar ao Vigiagro

  1. CVI original (dentro da validade)
  2. Carteira de vacinação original do animal
  3. Comprovante de microchip
  4. Resultado da titulação (se exigida pelo destino)
  5. Passagem aérea ou comprovante de reserva
  6. Documento de identidade do tutor

Tratamento contra Echinococcus

Obrigatório para entrada no Reino Unido, Irlanda, Finlândia, Malta e Noruega:

  • Produto: vermífugo contendo praziquantel
  • Janela de validade: entre 24 e 120 horas antes da chegada ao país de destino (não antes do embarque)
  • Registro: o veterinário deve anotar data, hora, produto e dose no CVI ou passaporte europeu
  • Se feito fora da janela: o tratamento é considerado inválido e o animal pode ser retido na chegada

Cálculo da janela

Exemplo para voo Brasil → Londres:

  • Chegada prevista em Londres: 15 de março às 08:00
  • Janela de tratamento: de 10 de março às 08:00 até 14 de março às 08:00
  • Momento ideal: 12-13 de março (margem de segurança)

Timeline ideal de documentação

Para evitar que qualquer documento expire antes do embarque, siga esta sequência (exemplo para voo em 30 de maio para a UE):

Data Ação Prazo
Meses antes Microchip (se ainda não tem) Permanente
6+ meses antes Vacina antirrábica (se vencida ou nunca tomou) 21 dias mínimo antes do voo
5 meses antes Coleta de sangue para titulação (se exigida) 3 meses de espera após coleta
24 de maio Consulta veterinária + emissão CVI Válido até 3 de junho
25-27 de maio Vigiagro: emissão CZI Válido até 4-6 de junho
26-29 de maio Tratamento Echinococcus (se exigido) 24-120h antes da chegada
30 de maio Embarque Todos os documentos válidos

Erros comuns que invalidam documentos

  1. CVI emitido cedo demais: se emitido mais de 10 dias antes do voo, está vencido no dia do embarque
  2. CZI emitido antes do CVI: impossível — o CZI é baseado no CVI. Mas se o CVI vencer e o CZI estiver válido, o CZI perde a validade junto
  3. Vacina vencida há dias: mesmo que o reforço seja feito no mesmo dia que o CVI, a "cadeia" de vacinação está quebrada. Em destinos que exigem titulação, todo o ciclo recomeça
  4. Microchip diferente: se o número do microchip no CVI não bate com o que está no animal, o documento é inválido
  5. Echinococcus fora da janela: aplicar 6 dias antes da chegada (fora das 120 horas) invalida o tratamento
  6. Voo remarcado: se o voo atrasar ou for remarcado para além da validade dos documentos, será necessário refazer CVI e CZI

Documentos para o retorno ao Brasil

Para trazer o pet de volta ao Brasil, são necessários:

  • CVI do país de origem: emitido por veterinário do país onde o pet está, dentro dos 10 dias antes do retorno
  • CZI do país de origem: emitido pela autoridade sanitária do país (DGAV em Portugal, APHA no UK etc.)
  • Vacina antirrábica em dia
  • Microchip funcional

Na chegada ao Brasil, o Vigiagro verifica a documentação no aeroporto. Se tudo estiver em ordem, a liberação é imediata.

Dicas para organizar a documentação

  • Crie um calendário retroativo: parta da data do voo e calcule para trás cada prazo
  • Faça cópias digitais de tudo: fotografe ou escaneie cada documento. Em caso de perda, as cópias ajudam (embora originais sejam obrigatórios)
  • Confirme a lista de documentos com o Vigiagro: ligue para a unidade do Vigiagro do seu aeroporto e confirme exatamente o que é necessário para o seu destino
  • Tenha margem de segurança: não emita documentos no limite do prazo. Se o voo atrasar 1 dia e o CVI vencer, você terá um problema sério
  • Considere empresa especializada: para destinos complexos (UK, Japão, Austrália), uma empresa cuida de toda a cadeia de documentação e evita erros de prazo

Perguntas frequentes

Se meu voo for cancelado e remarcado para 15 dias depois, preciso refazer tudo?

O CVI e o CZI terão expirado (validade de 10 dias). Será necessário refazer ambos. A vacina antirrábica e a titulação continuam válidas. O tratamento contra Echinococcus precisará ser refeito se a nova data de chegada estiver fora da janela de 24-120 horas.

A titulação de anticorpos tem validade em anos?

Não tem prazo fixo em anos. A titulação é válida enquanto a vacina antirrábica estiver em dia, com reforços feitos dentro do prazo. Se o reforço atrasar e a vacina vencer, a titulação expira automaticamente e precisa ser refeita.

Posso emitir o CVI e o CZI no mesmo dia?

Tecnicamente sim, se conseguir agendamento no Vigiagro no mesmo dia da consulta veterinária. Na prática, é difícil — especialmente em aeroportos movimentados. O mais comum é emitir o CVI e ir ao Vigiagro 1-3 dias depois.

O CVI pode ser emitido por qualquer veterinário?

Não. O CVI deve ser emitido por veterinário habilitado (credenciado) pelo MAPA. Nem todo veterinário tem essa habilitação. Verifique no site do MAPA/Vigiagro a lista de veterinários credenciados na sua região.

Documentos em português são aceitos no exterior?

O CZI emitido pelo Vigiagro é bilíngue (português e inglês). O CVI depende do modelo usado pelo veterinário — para a UE, existe formulário específico (Regulamento UE 577/2013). Verifique com o veterinário se o modelo é aceito pelo destino. Para EUA, o formulário do APHIS/CDC pode ser exigido.

E se eu perder os documentos originais durante a viagem?

No embarque, é necessário apresentar originais. Se perder durante o voo (pouco provável, pois ficam com você), cópias digitais podem ajudar na chegada — mas autoridades podem exigir verificação adicional. Mantenha os documentos em pasta segura na bagagem de mão.

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