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10 erros que impedem pets de embarcar — e como evitá-los

Os erros mais comuns no processo de transporte internacional de pets: ordem errada das etapas, laboratório não aprovado, CVI vencido e mais.

Depois de acompanhar centenas de famílias no processo de transporte internacional de pets, alguns padrões de erro se repetem com frequência alarmante. Erros que custam meses de atraso, dinheiro perdido — e, no pior cenário, a separação do pet. Este artigo documenta os 10 mais comuns para que você não os repita.

Erro 1: Vacinar antes de implantar o microchip

Por que acontece: O tutor vai ao veterinário, recebe a vacina antirrábica, e só depois descobre que precisava do microchip primeiro.

Por que é grave: A UE, Austrália e Japão exigem que o microchip esteja implantado antes ou no mesmo dia da vacina antirrábica. Se a vacina foi aplicada antes do microchip, toda a contagem (30 dias para sorologia + 90 dias de espera) precisa ser reiniciada após implantar o microchip e revacinar.

Como evitar: A ordem é imutável: microchip → vacina → sorologia → CVI. Nunca inverta.

Erro 2: Fazer a sorologia em laboratório não aprovado

Por que acontece: O veterinário manda para um laboratório particular local que faz "sorologia antirrábica" — mas não está na lista de laboratórios aprovados pela UE/APHA/DAFF/MAFF.

Por que é grave: O resultado não é aceito pelo país de destino. O tutor gasta o dinheiro da sorologia, perde meses e precisa refazer em laboratório aprovado.

Como evitar: Exija que a sorologia vá ao CENARGEM/Embrapa (Brasília) — o principal laboratório aprovado no Brasil. Confirme que o CENARGEM está na lista do seu país de destino específico antes de coletar.

Erro 3: Não respeitar o prazo de 90 dias após a sorologia

Por que acontece: O tutor recebe resultado positivo e acha que já pode embarcar. Ou confunde a data da coleta com a data do resultado.

Por que é grave: A UE exige aguardar 90 dias a partir da data do resultado positivo (não da coleta). Tutores que embarcam antes disso têm o pet retido na fronteira.

Como evitar: Anote com destaque a data do resultado e calcule os 90 dias a partir dela. Use nossa Calculadora de Prazo para verificar a data mínima de embarque.

Erro 4: Emitir o CVI muito cedo (ou muito tarde)

Por que acontece: O tutor quer "adiantar" a papelada e emite o CVI semanas antes do voo. Ou deixa para a última hora e não consegue atendimento.

Por que é grave: O CVI tem validade de apenas 10 dias a partir da data de emissão. Emitido muito cedo = vence antes do embarque. Emitido na véspera = sem tempo para resolver problemas.

Como evitar: Emita o CVI entre 7 e 4 dias antes do voo. Isso dá margem para endosso SISESP (pode levar 1–2 dias úteis) e para resolver imprevistos, sem risco de vencer.

Erro 5: Não verificar a política da companhia aérea para a raça

Por que acontece: O tutor faz toda a documentação e só depois descobre que a companhia não aceita a raça do pet (comum com braquicefálicos).

Por que é grave: Documentação perdida, custos não reembolsáveis, pet não embarca.

Como evitar: A primeira coisa a verificar — antes de qualquer documentação — é se a companhia aérea da sua rota aceita a raça do seu pet. Ligue diretamente para a companhia, não confie em sites de terceiros.

Erro 6: Confundir regras da UE com regras do UK

Por que acontece: Antes do Brexit (2021) as regras eram as mesmas. Muita gente ainda usa informações antigas.

Por que é grave: O UK pós-Brexit tem exigências específicas: laboratório APHA (não apenas UE), tratamento com Praziquantel para cães (obrigatório), formulário Health Certificate GB diferente do certificado UE. Usar o processo da UE para o UK resulta em recusa na chegada.

Como evitar: Trate o UK como um processo completamente separado da UE. Nosso guia específico sobre o Reino Unido detalha cada diferença.

Erro 7: Não agendar o transporte com antecedência

Por que acontece: O tutor compra a passagem e assume que o pet vai automaticamente. Ou descobre próximo ao voo que o limite de pets no voo já foi atingido.

Por que é grave: Companhias aéreas têm limite de pets por voo (geralmente 2 na cabine, alguns no porão). Sem reserva confirmada, o pet não embarca.

Como evitar: Ao comprar a passagem, imediatamente ligue para a companhia e reserve o transporte do pet. Confirme por escrito (email) a reserva.

Erro 8: Usar caixa de tamanho errado

Por que acontece: O tutor compra pelo peso do pet, não pelas medidas. Ou usa a mesma caixa que usa em viagens nacionais de carro.

Por que é grave: Caixa pequena demais: o pet não consegue ficar de pé — recusada no check-in. Caixa muito grande: excede as dimensões permitidas para cabine.

Como evitar: Meça o pet (altura em pé, comprimento, largura) e calcule a caixa pelas medidas, não pelo peso. Verifique as dimensões máximas da companhia antes de comprar.

Erro 9: Dar sedativo sem avaliação veterinária

Por que acontece: O tutor fica preocupado com o estresse do pet e decide dar um calmante "para ajudar".

Por que é grave: Sedativos em altitude podem causar depressão respiratória, hipotensão e morte — especialmente em braquicefálicos. A IATA desaconselha sedação de animais em voos.

Como evitar: Nunca administre sedativo sem avaliação veterinária específica para viagem aérea. Existem alternativas mais seguras (ver nosso artigo sobre calmantes em voo).

Erro 10: Não verificar o aeroporto de destino

Por que acontece: O tutor compra voo direto para uma cidade menor que não tem Posto de Inspeção Fronteiriço (PIF) veterinário.

Por que é grave: Pets de países terceiros (como o Brasil) só podem entrar pela UE em aeroportos com PIF ativo. Chegar em aeroporto sem PIF pode resultar em devolução do animal.

Como evitar: Antes de comprar o voo, verifique se o aeroporto de chegada tem PIF. Para a UE: Faro (Portugal) e muitos aeroportos menores não têm PIF. Use Lisboa, Porto, Madrid, Paris CDG, Frankfurt ou outros hubs principais.

Bônus: o erro mais caro de todos

Iniciar o processo com informações desatualizadas da internet — artigos de 2019 sobre regras que mudaram em 2021 (Brexit), 2024 (CDC para cães) ou que usam dados de outros países. Sempre consulte a fonte oficial do país de destino e, se possível, uma empresa especializada que acompanha as atualizações em tempo real.

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