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Como levar cachorro para a Austrália: guia completo 2026

O processo mais complexo do mundo para tutores de pets. 6 meses de preparação, quarentena obrigatória e aprovação prévia do DAFF. Guia passo a passo.

Levar um cachorro para a Austrália é um dos processos mais complexos, longos e caros do mundo. A Austrália tem um dos sistemas de biossegurança mais rígidos do planeta — e qualquer erro no processo pode resultar no pet sendo enviado de volta ao Brasil às suas custas. O processo leva no mínimo 6 meses e exige quarentena obrigatória de 10 dias em Mickleham (Victoria).

Por que a Austrália é tão restrita?

A Austrália é uma ilha continente que, por sua isolação geográfica, manteve um ecossistema único — livre de doenças que existem na maioria dos outros países. A raiva, a febre aftosa, o carrapato de Rhipicephalus e diversas outras doenças nunca chegaram ao continente australiano. A Austrália protege isso com rigor extremo.

Para pets, isso significa: aprovação prévia obrigatória antes de comprar qualquer passagem, quarentena mandatória paga pelo tutor, e uma lista de países-fonte que determina o processo.

O Brasil é país de alto risco para a Austrália

O DAFF (Department of Agriculture, Fisheries and Forestry) classifica os países em categorias de risco. O Brasil está na Categoria 3 — países com raiva e outras doenças endêmicas. Isso significa o protocolo mais longo e exigente.

Passo a passo: processo completo

Etapa 1: Aprovação prévia (antes de qualquer outra coisa)

Antes de qualquer vacina, exame ou passagem, você deve submeter um pedido de importação ao DAFF. O órgão analisa sua solicitação e emite um Permit to Import. Sem esse documento, o processo não pode avançar.

Como solicitar:

  • Acesse o sistema BICON (Biosecurity Import Conditions) no site do DAFF
  • Preencha o formulário de importação de animal de companhia
  • Aguarde aprovação — pode levar semanas
  • O permit especificará exatamente os requisitos para o seu pet vindo do Brasil

Etapa 2: Microchip ISO 11784/11785

Obrigatório, implantado antes da primeira vacina antirrábica. Guarde o número — ele estará em todos os documentos.

Etapa 3: Vacina antirrábica

Aplicada após o microchip. A Austrália exige vacina com histórico documentado — não basta uma única dose, é preciso mostrar que o animal está em protocolo de vacinação regular.

Etapa 4: Sorologia antirrábica — laboratório aprovado DAFF

O laboratório precisa estar na lista aprovada pelo DAFF australiano. O CENARGEM/Embrapa (Brasília) está na lista — confirme sempre a versão mais recente no site do DAFF.

  • Resultado mínimo: ≥ 0,5 UI/mL
  • Coleta após 30 dias da vacinação
  • Aguardar 180 dias após a sorologia positiva antes de embarcar (esse é o prazo mínimo para a Austrália)

Etapa 5: Tratamentos antiparasitários

A Austrália exige tratamentos específicos aplicados em janelas de tempo precisas antes do embarque:

TratamentoQuando aplicarSubstância ativa
Antiparasitário interno (Praziquantel)14–45 dias antes do embarquePraziquantel + outro agente antiparasitário
Tratamento contra carrapatosDentro de 14 dias antes do embarqueFipronil ou equivalente
Pulgas/mosquitosDentro de 14 dias antes do embarqueProduto aprovado listado no permit
As janelas de tempo são absolutas. Tratamento fora da janela = processo invalidado. Documente cada tratamento com data e hora, assinatura e carimbo do veterinário.

Etapa 6: Health Certificate DAFF

Emitido por veterinário oficial nos 5 dias antes do embarque. Formulário específico do DAFF, em inglês, com todos os dados do animal e dos tratamentos realizados.

Etapa 7: Rotas aprovadas

A Austrália aceita pets vindos do Brasil apenas por rotas específicas que passem por países intermediários aprovados. O trajeto direto não existe. Rotas comuns:

  • Brasil → Dubai (EAU) → Austrália (via Emirates Skycargo)
  • Brasil → Singapore → Austrália (via Singapore Airlines)
  • Brasil → Los Angeles → Austrália

Cada escala pode ter exigências próprias de documentação — planejamento com empresa especializada é altamente recomendado.

Etapa 8: Quarentena obrigatória em Mickleham

Todo pet vindo do Brasil deve cumprir quarentena de 10 dias na Mickleham Quarantine Station (Post Entry Quarantine — PEQ) em Victoria. Não existe exceção.

Detalhes da quarentena:

  • Custo: aproximadamente AUD 2.000 por pet (verificar tabela atual no site DAFF)
  • O tutor paga antes do embarque — reserva obrigatória
  • Visitas: permitidas em horários específicos
  • Os cães ficam em baias individuais com exercício diário
  • Em caso de doença na quarentena: tratamento veterinário às custas do tutor

Cronograma completo

EtapaQuando
Solicitar Permit to Import (DAFF)Dia 0 — antes de tudo
MicrochipApós aprovação do permit
Vacina antirrábicaApós microchip
Coleta para sorologiaDia 30+
Resultado sorologia positivoDia 40–60
Início da contagem de 180 diasData da sorologia
Tratamentos antiparasitários14–45 dias antes do embarque
Health Certificate DAFFAté 5 dias antes do embarque
Data mínima de embarque180 dias após sorologia
Quarentena em Mickleham10 dias após chegada

Quanto custa levar cachorro para a Austrália

ItemCusto estimado (2026)
Microchip + vacinasR$ 200 – R$ 400
Sorologia (CENARGEM)R$ 1.200 – R$ 2.200
Tratamentos antiparasitáriosR$ 300 – R$ 600
Health Certificate DAFFR$ 600 – R$ 1.200
Empresa especializadaR$ 3.000 – R$ 8.000
Frete aéreo (carga viva)AUD 500 – AUD 2.000
Quarentena PEQ (Mickleham)AUD 1.800 – AUD 2.500
Total estimadoR$ 15.000 – R$ 30.000

O custo varia muito com o tamanho do pet, a rota e se você usa empresa especializada. Para a Austrália, contratar uma empresa experiente é altamente recomendado — erros custam muito caro.

Raças proibidas na Austrália

A Austrália proíbe completamente a importação de algumas raças, independente de qualquer documentação:

  • American Pit Bull Terrier / Pit Bull Terrier
  • Japanese Tosa
  • Dogo Argentino
  • Fila Brasileiro
  • Perro de Presa Canario (Presa Canario)
🐾

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