relato 🇯🇵 Japão ⏱ 7 min de leitura

"16 meses e R$ 14.980" — relato: Yorkshire Terrier de SP para Osaka

Rodrigo levou a Mel, Yorkshire Terrier de 3 anos, de São Paulo para Osaka sem agente. 3 planilhas de controle, CVI bilíngue e 12h de inspeção no AQS de Narita.

Rodrigo é um dos poucos brasileiros que conseguiu levar pet para o Japão sem contratar agente — e ele não recomenda. "Fiz tudo sozinho por teimosa. Foram 16 meses e 3 planilhas de controle. Qualquer erro e seriam mais 6 meses de quarentena para a Mel." A Yorkshire Terrier de 3 anos chegou a Osaka no início de janeiro sem quarentena — 12 horas de inspeção e liberada.

Rodrigo e Mel — São Paulo para Osaka

"Quando minha empresa me transferiu para Osaka, pesquisei por 3 semanas antes de falar com a RH sobre trazer a Mel. Quando entendi o processo japonês, liguei e disse: 'preciso de 16 meses de prazo'. Eles acharam que era brincadeira."

A transferência foi combinada para 16 meses depois. Rodrigo iniciou o processo imediatamente.

Fase 1: o microchip correto

A Mel tinha chip antigo de padrão europeu de 15 dígitos — correto. "Primeiro alívio. Fui direto ao veterinário para confirmar o número do chip e registrar no prontuário de forma explícita: 'chip implantado em [data] — ANTERIOR a qualquer vacina antirrábica'."

O prontuário foi fundamental meses depois, quando precisou comprovar a ordem correta dos procedimentos para o MAFF.

Fase 2: vacinas e o laboratório aprovado AQS

A primeira vacina antirrábica foi aplicada no dia seguinte ao da verificação do chip. "Aguardei 30 dias. No dia 31, o veterinário coletou o sangue. Mas antes disso, confirmei por e-mail diretamente com o Japan Animal Quarantine Service (AQS) qual laboratório estava na lista aprovada para o Brasil."

O CENARGEM (Embrapa, Brasília) estava aprovado. "Enviei a amostra por courier refrigerado. Custou R$ 180 o envio."

O resultado mais esperado da vida

"Aguardei 4 semanas e 2 dias. No dia em que o e-mail do CENARGEM chegou com o resultado, eu estava em reunião. Saí sem avisar. O resultado: 1,8 UI/mL. Muito acima do mínimo de 0,5 UI/mL."

A partir da data do resultado, Rodrigo contou os 180 dias exatos. "Marquei no calendário: o voo mais cedo possível seria no dia X. Confirmei com a RH. Compramos os bilhetes."

As 3 planilhas de controle

"Criei uma planilha com cada etapa, data mínima, data ideal e data limite. Quando percebi que havia mais de 15 variáveis interdependentes, criei uma segunda planilha só para o cronograma de vacinas de reforço (para garantir validade na chegada). A terceira era para os documentos: o que preciso, quem assina, qual modelo, qual prazo de validade."

O CVI bilíngue

O maior desafio burocrático foi o CVI bilíngue japonês-português. "Meu veterinário nunca tinha feito um CVI para o Japão. Passamos 2 semanas juntos estudando o modelo do MAFF. Ele emitiu o CVI 8 dias antes do voo — dentro da janela de 10 dias."

O voo: GRU → NRT via Los Angeles

A Mel viajou como carga via United Airlines PetSafe, com escala em Los Angeles. "Foram 30 horas de viagem no total. Eu dormia 2 horas e acordava pensando nela. No rastreamento do PetSafe, aparecia 'Animal OK' em cada atualização. Aquelas duas palavras salvaram minha saúde mental."

A inspeção no AQS — Narita

"No AQS do aeroporto de Narita, um veterinário japonês conferiu cada documento com uma checklist em mãos. Cada item marcado com caneta vermelha. Durou 1h45 minutos. Não porque havia problemas — porque eles são metódicos assim."

Ao final: "Animal liberado — 12 horas de observação." A Mel foi colocada em uma baia limpa, com água e comida. Rodrigo ficou esperando do lado de fora. "Às 11h da noite recebi a ligação: 'Mr. Rodrigo, Mel is free.'"

Osaka com Mel — 10 meses depois

"Osaka é incrível para cachorro pequeno. Parques, lojas pet-friendly, trens que aceitam pets em bolsas. A Mel se adaptou em 2 semanas. O inverno foi uma revelação — ela ama correr na neve."

O registro no sistema veterinário japonês (Rabies Prevention Law) foi feito no veterinário local em Osaka na primeira semana — obrigatório e rápido.

O que Rodrigo recomenda (e o que não faria de novo)

  • Para o Japão: contrate agente. "Fiz sozinho por teimosia e funcionou — mas não recomendo. O risco de erro é muito alto e as consequências são caras"
  • Confirme laboratório AQS ANTES de coletar o sangue — a lista pode mudar
  • Documente a ordem de cada procedimento explicitamente no prontuário
  • O CVI bilíngue é difícil — dê pelo menos 3 semanas para o veterinário preparar
  • United PetSafe funcionou bem — mas confirme a rota específica (LA → NRT aceita)
  • Aprenda o básico de japonês para comunicar-se no AQS — a equipe é profissional mas o inglês pode ser limitado

Resumo financeiro

ItemCusto
Verificação microchip + prontuárioR$ 120
2 vacinas antirrábicas (processo)R$ 340
Coleta + envio amostra (CENARGEM)R$ 580
Sorologia CENARGEMR$ 2.200
CVI bilíngue MAFF + MAPAR$ 1.800
Tratamentos antiparasitáriosR$ 280
Frete United PetSafe (GRU → NRT)R$ 9.400
Quarentena AQS (12h)R$ 260
TotalR$ 14.980

Prazo total: 16 meses (do início do processo ao dia da liberação em Narita).

Avaliação: "O processo mais difícil que já enfrentei. E a melhor decisão que já tomei."

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