"Quase perdi o prazo no DogImport.gov" — relato: vira-lata de SP para Miami
Pedro levou o Bolota, seu vira-lata resgatado, de São Paulo para Miami em 5 semanas. A história e o susto com o DogImport.gov que quase atrapalhou tudo.
Pedro sabia que a burocracia para os EUA seria simples comparada com a Europa — mas ainda assim quase perdeu o prazo por causa de um detalhe no DogImport.gov. A história do Bolota, vira-lata resgatado que virou cidadão de Miami.
Pedro e o Bolota — São Paulo para Miami
"Quando fui transferido para o escritório de Miami, todo mundo me disse: levar cachorro para os EUA é fácil. E é — mas fácil não quer dizer sem surpresas", conta Pedro, analista de dados que se mudou para a Flórida em março de 2025.
O Bolota é um vira-lata de porte médio, resgatado das ruas de SP quando tinha uns 8 meses. Caramelo, olhos castanhos, aquele tipo de cachorro que parece inventado para ser amado. Com 5 anos no momento da transferência de Pedro, era a primeira vez que o Bolota ia colocar as patas fora do Brasil.
O processo — mais simples que pensava, mas com uma pegada
"Falaram que para os EUA não precisava de sorologia. Confirmei no site do CDC. Perfeito. Fui ao veterinário para fazer o health certificate — e aí o médico me perguntou: você já foi no DogImport.gov? Eu disse que não sabia o que era."
O DogImport.gov é o portal do CDC para importação de cães vacinados fora dos EUA. Cães vacinados no Brasil precisam ter a vacinação antirrábica registrada no sistema com antecedência — e o QR Code de aprovação deve ser apresentado na fronteira.
"O veterinário me explicou que eu precisava criar conta no DogImport.gov, preencher o formulário com os dados do Bolota, fazer upload da carteira de vacinação e esperar de 3 a 5 dias úteis pela aprovação. Meu voo era daqui a 8 dias. Deu uma corrida."
O susto que quase não aconteceu
Pedro entrou no DogImport.gov naquele mesmo dia. O formulário era em inglês e pedia informações técnicas sobre a vacina antirrábica — fabricante, número de lote, data de aplicação. Ele não tinha todos os dados na carteira do Bolota.
"Liguei para o veterinário que tinha vacinado o Bolota há 9 meses. Ele tinha os registros. Consegui completar o formulário. Enviei. Fiquei ansioso por 4 dias."
No quinto dia útil, o QR Code chegou por email. Verde. Aprovado.
O voo — LATAM, cabine, sem drama
Pedro escolheu a LATAM porque aceitava Bolota na cabine — o Bolota pesava 9 kg e a bolsa aprovada ficava exatamente em 10 kg no total.
"Treinei ele na caixa mole por três semanas antes. No início ele ficava agitado quando eu fechava. Fui aumentando gradualmente. No dia do voo, ele entrou sozinho na bolsa e deitou."
O voo GRU–MIA levou cerca de 9 horas. O Bolota dormiu a maior parte do tempo, segundo Pedro. "Uma vez ele latiu quando o avião turbulentou. Aí ficou quieto de novo."
Chegada em Miami — fronteira mais tranquila do que esperava
"No CBP (controle de fronteira americano), a agente pediu o QR Code do DogImport.gov e o health certificate. Olhou para o Bolota brevemente. Perguntou se ele era dócil. Eu disse que sim. Ela carimbou e disse 'welcome to the US, buddy' para o Bolota."
Tempo total na fronteira com o Bolota: cerca de 8 minutos.
Miami com Bolota — a adaptação
A primeira semana foi de ajuste. O calor de Miami em março não é tão diferente de São Paulo, então esse não foi o problema. O maior desafio foi o apartamento.
"Meu apartamento em Miami Brickell tinha cláusula de 'pets allowed' mas limitava a 25 lb (11,3 kg). O Bolota pesa 9 kg — passou, mas por pouco. Tive que pagar USD 500 de pet deposit e USD 50 por mês de pet rent. Isso não estava no meu orçamento original."
O que Pedro recomenda
- Comece pelo DogImport.gov pelo menos 2 semanas antes do voo — não deixe para os últimos dias
- Tenha todos os dados da vacina antirrábica: fabricante, lote, data, veterinário
- Verifique o limite de peso do seu apartamento no destino antes de confirmar a mudança
- Treine a caixa de transporte com antecedência — faz diferença real no comportamento durante o voo
- O health certificate deve ser emitido nos últimos 10 dias — não antes
"O Bolota agora corre pelo Bayfront Park toda manhã. Acho que ele não sente falta de São Paulo. Eu sinto um pouco", diz Pedro, rindo.
Resumo do processo: São Paulo → Miami
| Item | Custo |
|---|---|
| Vacina antirrábica (reforço) | R$ 120 |
| Health Certificate (veterinário credenciado MAPA) | R$ 550 |
| Taxa MAPA | R$ 180 |
| Taxa LATAM cabine (cabine internacional) | R$ 890 |
| Bolsa de transporte de cabine aprovada | R$ 350 |
| Total processo Brasil | R$ 2.090 |
| Pet deposit Miami (USD 500) | R$ 2.800 na época |
| Pet rent mensal (USD 50) | R$ 280/mês |
Prazo total: 5 semanas (da decisão ao voo)
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